quinta-feira, abril 11

Sr. Francis

Boneco que fiz uma vez para Seu Francis que amava carros


Faz quase 3 anos. Três anos se passaram do fim de um relacionamento que me deixou marcas profundas, boas e ruins. Foi um desenlace trágico, triste mas não vim aqui culpar ou desculpar. Só lembrar. Lembrar e agradecer. A Deus, à família do Sr. Francis, meu ex-sogro, nunca ex-amigo e nunca ex-modelo de admiração pra mim. Ele faleceu estes dias. Bem quando perguntei da saúde dele para o ex. Por que será que fiz isso? Não sei...só vinha o Seu Francis na minha mente. Aquele encontro foi um baque. Depois pensei na semana no Seu Francis. A saudades às vezes era mais forte que eu pudesse controlar. Saudades da família do ex. Saudade e gratidão por tanto carinho, risos, amizade, saudades do humor certeiro e da nobreza do Seu Francis. Francis Henry Humberto. Obrigada por eu ter tido o privilégio de lhe conhecer neste plano. Meus sentimentos sinceros de coração aberto à Cecilia, filhos, netos e bisneto...e a todos do circulo que por anos me fizeram feliz. 

quinta-feira, março 14

André Sakr - RIP. Meu HIT

André,


Sakr.

Existiu em minha vida, minha
via, Vida antes, Vida depois de André. Fui coroada pela mágica de andar por perto, estar esperta, sempre atenta aos menores estampidos. Suores e rugidos.

Lamentos de uma uma quase draga de fogo.

Era eloquente, gritante e pungente.

Seu urro me transcorria a espinha dorsal. Era um animal.

Eu o domesticava e não o entendia, Eu me punia. O abraçava e via. Que naquela pele de lobo circunspecto reinava um ser quase um Deus, meu objeto.
Puro afeto.

Eu era um andar,  ele, a objetar, ele a declamar, Em lágimas de fogo e estopa...seguimos.

Eu era uma Fenix, ele, algorritmo, um tear, um lamentar, entre trevas percorríamos juntos, sempre parceiros num mínimo olhar.

Ela, eu, eu era....você me desvendou, numa batata, uma hachura, uma letra, um poema, uma estrofe...um doce, uma loucura, uma anedota, um cuidado, um terrível olhar. Vou sempre pra sempre te amar!





quinta-feira, janeiro 10

Automatobiografia

Inspiração: Augusto dos Anjos e Charles Bukowski

Amadureci muito cedo e retardei muito tarde. Como um efeito borboleta Benjamin Button. Minha história foi de trás pra frente e no meio do caminho fiquei entre a força motriz e o samba de raiz. Hoje não escolheria certas cores tão fortes como o roxo e verde-limão ou também não engoliria tantos sapos ou baratas por tão pouca emoção. Meu medo é a paz demais. Minha busca é a paz frenética. Entre dentes de uma nascente cheia de céu da boca, adquiri o conhecimento mas faltou a constância.

E na estância dos fatos, jurei mais fotos, porém o estado laico de um rosto opaco me deixa sem sorrisos. Os dentes caem, os moles endurecem, o cabelo perde o viço. O tônus o vigor, o tonner acabou, a tinta desbotou, o ar ficou pesado e continuo cometendo os mesmos erros do passado.

Na jornada mascada de sorrisos e atitudes semi-mascaradas sobrevivi aos mais terríveis dilúvios.
As lágrimas jorravam, o gosto perdeu a doçura. Só sabe disso quem ainda me atura.
Nem só de lamento se mantém o tegumento. As plantas continuam a crescer mesmo com a dor da perda da flor, da prematura miséria e do insucesso insosso do ter.

Tenho nada e nada me têm, tenho 2 pares de coisas e infinitas curiosidades científicas.

No sobral, no pinheiral, a vontade de sempre ir, mudar, seguir. Um barco no oceano é a quantidade de tempo ano após ano. Mudamos a mentalidade dos precoces, dos atrozes e das bestas...

Nem fizemos tanto, passamos, passei, em poucas provas, em poucos testes e muitas provas na selva, quebrando galhos, escondendo-me em atalhos. Um pouco Bukowski demais e às vezes uma cozinheira normal ou até um autoritário capataz.

E assim vou levando, também esperando, também pensando mais e correndo menos, lutando mais. Se eu morrer quero um crematório e no máximo um oratório, uma lata vazia e as cinzas navegando no Rio Belém.









"Se eu nunca ver você de novo
Eu sempre vou levar você
dentro
fora
na ponta dos meus dedos
e nas bordas do meu cérebro
e em centros
centros
do que eu sou do
que restou."


Charles Bukowski