quarta-feira, maio 24

O MAGO



Eu sou uma gripe, um espirro virulento criado pela metástase de um mago profano que recitava Goethe. Quando estiquei meus dedos úmidos e rasguei aquele seu pedaço de carne, percebi que as vibrações mais sutis da sua alma poderiam estar coladas à minha pele. O Mago queria mais e mais sua alma e exigia que com bastante paciência eu sucumbisse de novo àquela sensação infinita do silêncio. O silêncio e a ausência de explicações e frases feitas. A não necessidade do Mago era me ensinar a necessidade da não verbalização concreta e formal da palavra aceita e esperada. Exigiam que eu ouvisse o canto do mar em jasmineiros e não obstante, eu assoprei o castelo de areia que cobria os seus olhos. O risco foi longe e muito comprido. Munida da minha caneta mágica Faber eu risquei uma parede branca em linha contínua e senti o peso dos pés naquelas corridas pela ciclovia. De saia, o desbotamento das imagens passadas foram lavadas delicamente com cândida. Alvejei meu alter-algo qualquer como um bang-bang. John Ford sentiria orgulho da nova saga. Nos escritos do Mago, Ford era citado como um rebelde que gostava de possuir ruivas pelos cabelos. Aquela lavanderia que tantos segredos guardou hoje está prá ocorrer. No meu mundo cheio de imaginações eu peguei suas roupas e lavei-as todas com as minhas. No balde me misturei à sua espuma e procurei alcançar as estrelas de forma que não poderia pegá-las e sem a sua ajuda, desmanchei as erupções cutâneas do meu passado. Pensei num motor roncando como a sua barriga tão faminta de vida nova, de ares e sua saúde tão delicada me deixou pesares porque queria somente lhe enviar um pó mágico dos reinos de Crownley para podermos escutar as notas mágicas do seu banjo em sossego naquela varanda onde poderíamos criar signos nossos e depois contar pros filhos de Órium. Na Lua eu estive com você e o Dragão não me conteve aos prantos quando me senti viva de noite. Nossas iras passageiras poderiam durar em micro-cosmos de piadas com café e canela. Com baunilha e salsa. Meu mambo, meu azeite puro sem acidez....É tão linda essa história.

suzanne vegas não é mais carne

4 comentários:

Débora disse...

Eu curto ler o que você escreve, acho foda, viagem, verdade, tudo bem misturado, inteligente, bem sacado.
E cada um interpreta da sua forma... se necessário for interpretar... palavras soltas, com um sentido real e irreal que misturadas acabam nos dando uma lição de vida e até moral (olha a rimaaa ahaha).
Admiro esta capacidade nas pessoas.

:*

Carol disse...

pô, carne vc viaja legal, hein...gosto disso, também tenho umas pirações parecidas...mas meu ramo é outro, piro em leites.
smac

Pequena Vivan disse...

lagrimas nos olhos agora...
nossa!

CARNE disse...

puxa! muito obrigada mesmo, eu escrevo com meu coracebo e fico feliz que alguém lê e se identifica, este texto foi feito com muito amor e nescau :)